Educação a Distância e desigualdades educacionais no Brasil: uma análise histórica, normativa e sociológica na perspectiva de Pierre Bourdieu
RESUMEN:
A Educação a Distância (EaD) constitui um dos fenômenos mais relevantes da história da educação. Desde suas primeiras experiências, a modalidade passou por sucessivas e profundas transformações tecnológicas, pedagógicas e normativas, ampliando as oportunidades de acesso ao ensino e diversificando as formas de ensinar e aprender. Entretanto, sua expansão não assegura, por si só, a democratização das oportunidades educacionais. Nesse contexto, o presente estudo analisou, à luz da sociologia de Pierre Bourdieu, a trajetória histórica da EaD, sua regulação, suas reconfigurações e suas relações com as desigualdades educacionais no Brasil. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental, contemplando o período compreendido entre 1728 e 2024. Os resultados evidenciam que a EaD ampliou significativamente o acesso à educação, mas o capital cultural, as condições socioeconômicas e as desigualdades estruturais continuam influenciando o ingresso, a permanência e o desempenho dos estudantes. Conclui-se que a efetiva democratização da educação depende não apenas da expansão da oferta, mas também da implementação de políticas públicas comprometidas com a equidade, a inclusão digital, a qualidade da formação e a redução das desigualdades sociais. Ao integrar as dimensões histórica, normativa e sociológica da EaD, o estudo evidencia que a ampliação do acesso educacional somente se traduz em justiça educacional quando acompanhada de políticas capazes de enfrentar as desigualdades estruturais, condição indispensável ao fortalecimento da equidade e à promoção do desenvolvimento social.
Palavras-chave: Educação a Distância, Pierre Bourdieu, Desigualdades educacionais, Regulação educacional, Justiça educacional.
